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Londrina, 19 de Novembro de 2017
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NÃO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - Grupo busca conscientizar sobre a agressividade contra a mulher

Pessoas que passaram pelo centro de Londrina durante simulação ficaram chocadas

18/05/2017

Walkiria Vieira
Jovens que integram o projeto contam que muitos param, observam e ficam chocados antes de descobrirem que é uma simulação


Acuada, com hematomas e sob ameça verbal, a jovem chama a atenção de quem passa pelo Calçadão de Londrina. Sem palavras, demonstra medo, dor e pede socorro. Olhares de reprovação são muitos, mas nenhum transeunte ousa interromper o destrato. A simulação é parte de um trabalho que tem como objetivo conscientizar a população contra a violência doméstica. "Toda violência é condenável. Contra jovens, crianças, contra o preconceito, a indiferença e o que provoque conflitos tanto no seio familiar como na sociedade como um todo", explica pastor Moás Lorenço Albuquerque, 53 anos, coordenador do trabalho do grupo de jovens Jocum - Jovens com uma Missão.
Os jovens que integram o projeto explicam que muitas pessoas param, observam e se sentem chocadas antes de descobrirem que é uma simulação. "Um dia um senhor ficou tão impressionado que disse que ia chamar a polícia." A estudante de Pedagogia Heloiza Mascarenhas, 19, afirma que se fosse real, ela iria interferir. "Diariamente, só por andar de mãos dadas com minha namorada, sou ofendida, as pessoas observam, mas não fazem nada diante desse tipo de violência e preconceito." A estudante Karoline Guadaguine, 19, acrescenta: "Ninguém faz nada, por mais impactante e revoltante que seja a expressão da mulher que é vítima de violência a céu aberto", ressente-se. A autônoma Andressa Fernandes, 34, mora na Vila Ricardo. Ela parou no meio do caminho para ter certeza de que a violência que observava não era real. "Isso é chocante. Eu mesma fui vítima, abandonei um casamento por conta da violência, hoje brigo pela qualidade de vida dos meus filhos e por tudo o que vivi. Considero que a Justiça é falha, há muitas lacunas na lei e eu estou bloqueada emocionalmente, pois é um desgaste muito grande. Meu ex-marido foi condenado por lesão corporal leve, pagou cesta básica e o dano é incalculável", desabafa. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)

‘Eu só bati o olho na maçaneta’ #sqn
Com cartazes estimulando a mulher a fazer denúncia contra a violência, o grupo tenta espalhar coragem, respeito e confiança por onde passa e acredita que essas lições devam ser aprendidas desde cedo, em casa, na escola e que a violência não deve ter lugar, e sim o diálogo. Neste 18 de maio, celebra-se o Dia Nacional de Combate à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes. A promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Susana Lacerda, alerta que a escola é o local onde muitos abusos são denunciados e que por isso é importante falar sobre o assunto nos ambientes escolares. "Esse dia é um marco. A maioria dos abusos sexuais acontece dentro de casa. A escola tem que ser um ambiente de advertência que a criança se sinta à vontade para conversar e para saber o que é abuso uma vez que o professor é uma figura de confiança para essa criança." (Colaborou Carolina Avansini/Grupo FOLHA)