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Londrina, 23 de Abril de 2018
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Lazer só no nome

Moradores cobram melhorias e preservação de espaços públicos em Londrina

10/01/2018

Fotos: Marcos ZanuttoÁrea do lago Cabrinha: bancos, aparelhos e placas destruídos


Espaços públicos subutilizados ou abandonados geram problemas para a qualidade de vida, ao mesmo tempo possuem grande potencial para a implantação de áreas verdes e de lazer, cultura ou para a prática de esportes. "A valorização de espaços públicos em vazios periféricos, que ficam à margem das áreas mais urbanizadas, pode fomentar o uso e a qualidade de vida de áreas dormitórios, e ainda alavancar o desenvolvimento de regiões muitas vezes esquecidas na dinâmica da cidade". A afirmação é da arquiteta Simone Gatti, formada na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
No entanto, o que se vê em Londrina são espaços públicos cujo potencial apenas alimenta o desejo dos moradores. São áreas que nem sempre recebem a devida manutenção ou estão de acordo com as necessidades da população.
O Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, região central, que passou recentemente por uma limpeza e remoção de sedimentos do córrego Bom Retiro para evitar enchentes, é um dos poucos espaços que integram lazer e praça esportiva no município. Mesmo assim seus frequentadores reclamam da falta de manutenção e de atualização do espaço às necessidades da população.
"Já passou da hora do CSU ser um parque urbanístico para a cidade, com melhorias semelhantes às que foram realizadas no Lago Igapó. Falta um plano urbanístico de qualidade. É preciso avaliar as necessidades dos usuários para resolver os problemas, a começar pela obrigação de fazer a manutenção do local, melhorando o asfalto no entorno; plantar mais árvores; melhorar a iluminação; realizar a manutenção da pista de skate e das quadras esportivas; entre outras necessidades", enumera o estudante de arquitetura Mathias Oliveira Lopes, frequentador desse espaço criado em 1979.
O alambrado das quadras esportivas está danificado, algumas tabelas de basquete não existem mais, há buracos na pista de skate, o gramado foi destruído em alguns pontos e uma edificação que já foi utilizada como almoxarifado e vestiário foi destruída por um incêndio.
A falta de conservação de lixeiras, de bancos e de outros mobiliários do espaço proporcionam aos frequentadores um aspecto de abandono. "O local precisa passar por um retrofit", orientou Lopes, utilizando uma expressão inglesa para designar a modernização de algum equipamento já considerado ultrapassado. (Vítor Ogawa/Grupo Folha)

Lagoa Dourada, no jardim Monte Belo: pinguelas no lugar de pontes


ZONA NORTE
O Lago Cabrinha (zona norte) é outro espaço com parque infantil e equipamentos de ginástica. Implantada em 2005, sua estrutura está bastante deteriorada. "Não fazem a limpeza, os aparelhos de educação física estão destruídos, os bancos e as placas com a metragem da caminhada estão quebrados", criticou a professora de educação infantil Ana Maria da Silva Batista. "A falta de manutenção inibe a frequência das pessoas que praticam exercício ou usam o espaço para o lazer."
A aposentada Alaíde de Lurdes Barcelos mora em frente ao lago e diz que tudo está danificado. "Antes vinha todo mundo fazer exercício, agora o pessoal não vem mais por causa da falta de manutenção. Falta roçagem, a iluminação fica encoberta pela copa das árvores. Ficou bastante perigoso", apontou. (V.O.)

ZONA SUL
No outro lado da cidade, na zona sul, a Lagoa Dourada carece de infraestrutura. A operadora de máquinas injetoras Eliane Maria Tessaro é moradora do jardim Piza e costuma fazer caminhada no meio da rua, porque no entorno da lagoa não tem calçada. "Eu tenho medo de andar por dentro do fundo de vale, porque tem muita gente estranha. Seria justo ter uma calçada em volta daqui", expôs, acrescentando que ali não há iluminação pública, faltam equipamentos de lazer e de ginástica. "Para atravessar a lagoa deveriam construir uma ponte, mas aqui só tem pinguelas", acrescentou.
O morador do jardim Monte Belo, Luís da Costa, reclama que muita gente joga lixo, andarilhos deixam roupas e papelão por ali e há falta de remoção de árvores. "Isso aqui é um presente de Deus, mas aqui as áreas verdes não são cuidadas da mesma forma que Maringá, por exemplo. Lá os espaços públicos são bem mais cuidados", comparou. (V.O.)