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Londrina, 24 de Janeiro de 2018
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O FIM DA ‘ERA POCOTÓ’ - Cavalos estão com os dias contados

A determinação municipal deixou os carroceiros atemorizados. Porém o município pretende capacitar estes profissionais em programas sociais

10/01/2018

Paulo Monteiro/ArquivoCavalos são encontrados entre os veículos nos quatro cantos de Londrina


Proprietários de cavalos terão 60 dias para providenciar um local na zona rural para transferir os animais, divulga a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). O decreto que proíbe a criação de cavalos na área urbana de Londrina foi publicado no Jornal Oficial na tarde quarta-feira (10). Cavalos soltos já causaram vários acidentes na cidade, inclusive com mortes. A determinação deixou os carroceiros atemorizados. Porém o município pretende capacitar estes profissionais em programas sociais.
"O decreto basicamente altera a gestão de uso desses animais. A novidade seria a situação dos carroceiros, que deve ser regulamentada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização)", explica Juliana de Souza Carneiro, secretária municipal em exercício da Sema. "A ideia é que os carroceiros sejam capacitados em outras atividades profissionais pelos programas municipais. Eles devem se adaptar a outras opções de transporte, sem a tração animal", diz. Caberá a Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda a responsabilidade pela divulgação e oferta de treinamentos e cursos profissionalizantes aos carroceiros cadastrados, bem como a orientação acerca dos mecanismos disponíveis para busca de oportunidades de ingresso no mercado de trabalho.
Juliana relata que os que mais geram transtornos são os cavalos utilizados para lazer. "A partir da publicação do decreto, o proprietário terá um prazo de 60 dias para providenciar um local na zona rural para a transferência. Os animais flagrados soltos serão apreendidos e não vão ser novamente devolvidos. Os cavalos serão doados para criadores rurais cadastrados", acrescenta a secretária em exercício. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

‘Minha família depende desse trabalho’, diz carroceiro
José Raimundo de Moraes é vice-presidente da Associação dos Carroceiros de Londrina. Ele diz que a determinação deixou os carroceiros atemorizados. "Faço fretes (transporte de carga por via terrestre) com carroças há 19 anos. Atualmente não ganhamos muito dinheiro com isso, no máximo R$ 450 por mês. Mas a minha família depende desse trabalho", afirma Moraes.
Ele reforça que os colegas de trabalho não possuem qualificação para exercer outra atividade profissional. "Acho que muitos pais de famílias vão passar dificuldades, já que não possuem profissão. Eu mesmo não tenho estudo. Espero que a Prefeitura nos aproveite em algum lugar. Nem que seja para limpar as áreas publicas", diz o vice-presidente.
"Londrina tem hoje 1.400 cavalos. Só 300 são usados por nós, trabalhadores. Estamos pagando pelos erros dos outros. Acidentes são causados por animais soltos. De pessoas que usam cavalos somente nos fins de semana. Eles deixam os animais em qualquer lugar", acrescenta Moraes.

Outros transtornos
O NOSSODIA mostra a situação dos cavalos soltos há anos. Em 2017, acidentes envolvendo animais de grande porte ocorreram com frequência. Na ocasião, a secretária titular do Meio Ambiente (SEMA), Roberta Silveira Queiroz, adiantou que o município mapeou toda a cidade para identificá-los.
Em 2017, 70% desses animais eram usados para lazer, salientava a secretária. Além dos acidentes, ela enumerou outros transtornos. Abandonados em fundos de vale, os animais de grande porte danificavam áreas de preservação, além de ser um vetor do carrapato. Impactando na saúde pública.
Os casos ainda podem ser denunciados pelo telefone da Sema: 3372-4774, disponível das 8h às 18h. O contato também pode ser feito pelo e-mail: fiscalizacao.sema@londrina.pr.gov.br. (P.M.)