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Londrina, 26 de Setembro de 2017
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Nossa crônica

Ao menor sinal, corra!

07/08/2017
Por Cláudia Bergamini

Já estive algumas vezes no Rio de Janeiro. Embora tenha me deslumbrado com a beleza da cidade, em uma delas conheci o lado perigoso. Não me vi entre tiros, mas em meio ao desespero dos moradores por conta de um incêndio que devastou um prédio na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O fato foi em 2012, mas hoje veio à minha mente por outra razão. Eram cerca de três da tarde de sexta quando eu passava pelo alto do calçadão. De repente, pelo espaço não transitável para carros, começaram a circular muitas viaturas, sirenes ligadas, policiais à espreita. Minha primeira reação foi recolher-me, esperar os carros se distanciarem. Para minha surpresa, as pessoas faziam o percurso inverso e corriam para ver o que se passava. Foi neste instante que o episódio do Rio saltou da memoria. Lá, as pessoas corriam assustadas e tentavam distanciar-se do lugar do incêndio o máximo possível. Não sei se estou certa ou errada, mas entendi que, embora nossa cidade conte com situações tensas, nas quais a violência urbana seja visível, o medo ainda não se faz latente entre os moradores. A ação da Polícia atraiu mais curiosos que medrosos como eu. Jogar o jogo do contente foi minha solução. Ri da minha cautela e pensei que nossos crimes ainda não são motivos de mudança de hábitos para os moradores. Ainda assim, se algum curioso quiser me acompanhar, há espaço de sobra longe das sirenes e carros acelerados. Vou continuar correndo ao menor sinal.